quarta-feira, 1 de junho de 2011

Entreouvido

No escritório. Ele é estilista, desenha sapatos. Ela é sua melhor e mais elegane fornecedora de couro. Ambos solteiros, conversam ao telefone:

- Você não vai interpretar mal o que tenho a dizer?
- Depende. Você está me cantando?
- Depende. Você aceitaria sair comigo?
- Depende. Aonde você me levaria?
- Depende. O que você gosta de comer?
- Depende do dia. Você curte japonês?
- Depende do japonês. Conheço um ótimo na Barra. Você aceitaria a minha cantada acompanhada de um convite para jantar num japonês na barra?
- Depende. Acho que não, só precisava saber até onde isso ia dar. Será que seria bom?
- Só depende da sua decisão.
- Mas o que você iria mesmo me dizer?
- Ia perguntar se você poderia me passar um novo prazo para o pagamento daquela encomenda.
- ok. próximo dia 25, está bom pra você?
- Perfeito. Te pego às 9h?


Moral da história. Empreendedores são desconfiados e sabem aproveitar boas oportunidades.

domingo, 29 de maio de 2011

Vida de ferreiro


Tenho certeza que você já deve ter identificado o ditado "casa de ferreiro o espeto é de pau" em algum amiguinho empresário, mas como ferreira que sou, não concordo plenamente com ele, quer saber o porquê?

O ferreiro, que é um profissional autônomo, precisa fazer seu trabalho, ir ao banco, brigar com os fornecedores que atrasaram a entrega do ferro, aceitar a péssima condição de pagamento daquele cliente fiel, mandar aumentar o letreiro para ofuscar a concorrência do bairro e treinar aquele menino ótimo e que precisa de uma oportunidade.

No fim do dia, depois de ter feito todas as entregas no seu carro velho, porque a saveiro da empresa está tão rodada que quebrou e ainda não deu para consertar, já que esse mês o caixa está em baixa, chega em casa e vai discutir com a mulher que vive reclamando da gambiarra do espeto feito com as sobras de ferro da oficina, porque ela não é capaz de compreender que ele tenta todos os dias fazer o mais forte e duradouro espeto de ferro para sua casa. Não resta dúvidas o quanto ele é capaz e é por isso que a comida dela e das crianças está todos os dias na mesa, mesmo com pouco luxo.

Confere todas as correntes em seu e-mail do hotmail, com certa dificuldade, já que não sobra tempo para aprender certas coisas no computador, faz amor com sua mulher depois de fazer as pazes em uma conversa durante o banho, reza agradecendo a vida que leva e adormece porque as 5 da manhã começa tudo outra vez e ainda é segunda-feira. Entendeu a complexidade?

Um negócio, principalmente em sua fase inicial, é cheio de burocracias, problemas, decisões que precisam ser tomadas, e se você não tem alguém que te ajude como o ferreiro coitado, vai precisar fazer o milagre de multiplicar o tempo. Eu ainda estou aprendendo.

E é por isso, que vou parar por aqui. Escrev. Abrev. p/ agilizar.
bj. See u.

sábado, 14 de maio de 2011

Muito prazer, Josefa


Dar nomes não é uma tarefa fácil. Quem já foi mãe deve saber dizer isso melhor, sempre tem uma figura para sugerir um Clovis, Adamastor, Josefa (ops! Eu conheço uma e a filha dela com certeza vai ler isso, mas tenho coragem e não vou apagar). Escolher o nome para a empresa, juro que é pior. Acho que é por isso que existem aquelas lojas com nome da cidade, muito comum no interior, Supermercado Macaé, Açougue Angra, e uma infinidade de coisas bregas, mas eu entendo que não é fácil.

Hoje, todo negócio precisa do seu endereço físico para o contrato social e o endereço virtual, onde as pessoas que não o conhecem vão investigar mais sobre ele. Então, quando for escolher o seu nome fantasia é preciso pesquisar na internet se alguém já escolheu o mesmo nome que você, se alguém já tem o .com.br que você sonhou para a sua empresa. Aí meus queridos, o bicho pega! Porque existe tudo neste mundo de meu Deus.

E se escolher um nome que não exista no mesmo segmento que você já é difícil, imagina dar a este nome um conceito? Imagina exigir que este nome tenha alguma coerência com o porquê da escolha? Porque você não vai estar livre disso, sempre tem alguém que vai perguntar, mas por que Valsa?

Nós passamos idas e vindas de Br 101, discutindo qual seria o nome, sabíamos que era preciso representar um casal trabalhando juntos sem ser óbvios. Pensamos em T-U-D-O. Quando definimos que Valsa era o nome ideal, porque representava o casal, é uma dança clássica do casamento e precisa de muita harmonia para funcionar, ou seja, somos nós!

Tem gente que se agarra na numerologia, eu acho que tudo é válido para garantir sucesso, mas competência funciona também. A numerologia tem um só defeito, deixar tudo com uma letra a mais e isso é um pouco Josefa, sabe como?

Agora, tudo não podia ser perfeito. Só hoje eu entendo qual é o problema do nome da minha empresa. Toda vez, eu digo toda a vez, que eu ligo para algum lugar desenvolvemos sempre o mesmo diálogo:
- Quem gostaria?
- Fabiana da Valsa
- Como? Balsa?
- Não. Valsa da dança.

Ou então:
- Como? Walter?
- Como? Salsa?

Isso não me incomoda nem um pouco, na verdade é super divertido, talvez eu precise de fonoaudióloga, só isso. Mas é claro que virou motivo de piada interna. Sempre que uma secretária me repete um nome bizarro ganhamos de presente boas gargalhadas no escritório. Então, por isso, fica a dica Josefa, quando escolher um nome ligue para alguém que ainda não sabe da escolha e fale o nome da empresa, sem caprichar na articulação para ficar mais real, e veja o que a pessoa entende. É assim que funciona, se você tem algum problema de dicção, por exemplo não consegue pronunciar o R, não vai colocar o nome da empresa de Josefa pResentes, que não vai dar certo.

Então é isso. Beijo e me desculpe Zefas.

sábado, 23 de abril de 2011

Papai comprou pra mim

Eu não paro de pensar nisso um só minuto. Como eu gostaria de ter uma idéia incrível para um novo negócio. A minha cabeça transforma uma placa de aluga-se em um centro comercial qualquer, em pet shop, salão de beleza, franquia de fast food, depende da analise de oportunidade que a minha cabeça, contra a minha vontade, sai resolvendo.


Não acho nenhum demérito quem resolve trabalhar no negócio do pai. Existe um certo preconceito, são os empreendedores esquerdistas, aqueles que só valorizam os que criaram e desenvolveram algo por conta própria, você já deve ter ouvido " ele trabalha com o pai", acreditando que foi um caminho mais fácil. Pra mim isso não importa, inclusive resolveria meu problema da grande ideia. O que importa mesmo é como e o que você faz desta oportunidade.


Eu adoraria ter um caminho já trilhado para ter o que estudar, melhorar, progredir reinventar. Conheço pessoas incríveis que investiram em conhecimento, trabalharam em outros lugares e por fim foram transformar o negócio do pai. Eu sinto orgulho por eles, pai e filhos.


Para aqueles que pensam, mas temem cair na rede da empresa do papai vai um link bacana sobre os principais erros de uma empresa familiar, leia e comece mudando.


Também conheço aqueles que usam como argumento de venda do seu serviço - minha empresa começou no meu quarto - ok, a minha empresa começou no quarto. Ok, eu também me orgulho disso, mas não faço disso um argumento para os meus clientes confiarem mais ou menos no meu trabalho. Por mim poderia ter sido um investidor que acreditou em meu trabalho e resolveu fazê-lo progredir, na verdade o que vale mesmo é aquilo que se sabe, como se faz e a confiabilidade que se passa.


Sendo assim, deixo aqui meu pedido, papai se quiser comprar pra mim…


sexta-feira, 15 de abril de 2011

Sim, eu aceito

Mais difícil que encontrar um novo negócio é encontrar um sócio. Nem sempre precisa-se de um, mas acho fundamental ter alguém para dividir tudo, investimentos, dúvidas, trabalho e o sucesso, quando ele chega. O mais curioso disso tudo é que eu não consigo imaginar uma nova ideia sem que ela venha acompanhada, imediatamente, de uma pessoa que combine com ela.

Aquela franquia de chocolates argentina, uma amiga ótima em finanças, porque eu não sou tão habilidosa assim. Para uma lojinha de acessórios, aquela minha amiga fashion, ótima em maquiagem, porque eu demoraria para escolher os fornecedores tanto quanto demoro para me arrumar. Um escritório de design, só poderia ser o designer que eu mais admiro e confio nesse mundo e que nunca me deixaria na mão.

Entendeu a lógica? É extremamente necessário rolar uma admiração, confiança e a pessoa escolhida deve ter alguma qualidade que você não possua e que seja importante para o futuro negócio, esse é o segredo do casamento ideal. Os sócios não podem concorrer, eles devem entender a necessidade do outro e sentir a falta do outro.

Como em um casamento juntamos os nomes e os endereços em uma certidão que define até como será uma possível separação. Passamos dias e noites trabalhando, sorrindo e brigando, ele vai te ligar a qualquer momento e vai esperar que você o compreenda.

Eu não resisti. Me apaixonei. E casei.
Eu aceito no contrato social e na comunhão de bens.

E que sejamos felizes para sempre.

terça-feira, 12 de abril de 2011

É preciso arriscar. Arrisco dizer.

Sempre acreditei que a principal característica de um empreendedor era ter coragem para arriscar, só mais tarde descobri que isso é o que os empreendedores dizem para falir possíveis futuros concorrentes. Então, guarde esse segredo, porque você não vai ouvir isso por ai assim de graça. A maior qualidade de um empreendedor é SABER arriscar, assim mesmo em caixa alta.

Você deve estar se perguntando - Qual é a maldita diferença? - O planejamento é a diferença. Para os que sabem arriscar, a intuição vem acompanhada de algum (ou muitos) conhecimentos sobre o negócio, mesmo que intuitivamente, para aqueles que são super seguros. E isso diminui a probabilidade do seu rico dinheirinho não voltar para o seu bolso. Neste link você vai encontrar uma ótima dica de como montar seu plano de negócios, ele é fundamental para conhecer, minimizar e quantificar os riscos.

Seria mais interessante se eu tivesse descoberto isso após um investimento milionário em algum negócio que foi para o buraco. Uma história assim acontece todos os dias. No meu caso a descoberta veio com o medo de quebrar o nariz. Mesmo na sala de casa, com custos e investimentos mínimos a coragem de largar nossos empregos não aparecia. Eu, com risco menor, pois era recém formada e meu salário era uma camiseta da C&A, comecei trabalhando full time no home office, enquanto o Juan, meu sócio - digam muito prazer - trabalhava durante o dia em seu emprego, e a noite fazíamos o que ainda faltava em casa. E foi assim durante muito tempo, até as energias quase se esgotarem. Depois de muito analisar e constatar que o faturamento do Valsa correspondia aos custos necessários, incluindo os impostos é claro, foi que começamos a ser donos da pontinha dos nossos narizes.

Permito-me dizer, pondere arriscar com conhecer.
Break a leg.






domingo, 10 de abril de 2011

A meleca da ideia

Eu não consigo encontrar a meleca da ideia. Essa é a verdade. Como vou definir custos, preparar projetos, encontrar fornecedores, avaliar cenário de um negócio que eu ainda não sei qual é?

Quando se abre um escritório de design e é formada em Publicidade e seu sócio em Desenho Industrial, vamos combinar que é mais fácil. Tanto chegar na ideia, quanto definir um plano de negócios... apesar de confessar que para o meu escritório foi tudo acontecendo dentro do quarto do meu sócio, meio sem planos.

É isso mesmo. Começamos dentro de um quarto, duas pessoas, dois computadores, uma cama e um ar condicionado. Logo foi expandindo para uma sala, não comercial a da nossa casa mesmo, e chegamos ao de-sa-ti-no de contratar um estagiário para trabalhar na sala da nossa casa.

Contratar não é uma decisão fácil, mas você sempre sabe quando precisa de ajuda, talvez isso mereça um post exclusivo. Nosso primeiro estagiário foi um velho amigo, o que facilitou o relacionamento para a convivência dentro de casa. Ter um funcionário dentro de casa não foi uma boa escolha, mas era a única opção naquele momento, e para crescer é importante agarrar as oportunidades. Não é tão fácil encontrar clientes que confiam seus projetos em pessoas que trabalham na sala de casa, então quando aparecia a gente não deixava passar e assim fomos crescendo.

É uma pena que o mercado ainda não veja com bons olhos a empresa do perfil Home Office, existem muitas vantagens, para quem está começando ou quem está cansado do trânsito é perfeito! Para uma agência como a minha, por exemplo, o mais importante é o profissional, e não se está em uma estrutura com portaria digital e porcelanato no hall, afinal a maioria das coisas são feitas online.

Este link fala um pouco das tendências dos Home Offices e da novidade do escritório virtual, ótimas opções para quem precisa reduzir custos ou optou por trabalhar em casa.

Para o meu futuro negócio eu acredito que será alguma coisa no comércio, sinto que tenho esta leve inclinação, mas o que poderia ser? E o comércio é lucrativo? Meleca!

There we go again!